H1N1: Casos graves crescem 600% em Pernambuco

Sobe o número de pacientes diagnosticados com as influenzas A H1N1 e H3N2 em Pernambuco. Já são 23 pacientes atestados com H1N1, sendo sete que desenvolveram síndrome respiratória aguda grave (SRAG), número que representa um aumento de 600% em relação à semana anterior, quando foi registrado um caso. 

Os dados foram divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), na última quarta-feira (2), e levam em consideração os registros de janeiro até o dia 21 de abril. O H3N2 já acumula oito confirmações que tiveram SRAG e mais nove com sintomas mais leves, que não precisaram de internação. O número geral de pessoas internadas por SRAG de etiologias diversas e ainda em investigação subiu 18%. As mortes também. 

Até agora, dois pacientes morrerem devido à síndrome respiratória aguda grave, ambos com exames positivos para o vírus H1N1. O primeiro óbito foi de paciente, que já tinha comorbidades, de 45 anos, do Recife, que faleceu em 24 de abril. A morte mais recentemente confirmada foi de uma paciente de 74 anos, também com comorbidade, que faleceu no dia 17 de abril. Ela era residente em Jaboatão dos Guararapes. 

Em relação aos demais casos de internamento de SRAG por Influenza A (H1N1 e H3N2), a SES informou que a maioria se encontra na faixa etária de zero a nove anos, com sete ocorrências. Segundo a gerente de Prevenção de Doenças Imunopreveníveis da SES, Ana Antunes, apesar da alta nos números nas duas últimas semanas, o comportamento geral das influenzas ainda está dentro do considerado habitual para o período

Ela destacou ainda que as notificações de SRAG de forma geral ainda estão inferiores ao mesmo período de 2017, quando 513 adoecimentos foram registrados. “Esses dados de agora não querem dizer que todos tenham adoecido na última semana. Na verdade, boa parte dos casos é de março, mas só agora saíram os resultados dos exames”, justificou sobre o salto nas estatísticas. 

Um fator, no entanto, chama mais a atenção: a prevalência conjunta dos vírus H1N1 e H3N2. “Não temos um predominando em cima do outro. Em anos anteriores, você tinha um predomínio nítido de um deles. Agora estão as duas ocorrendo ao mesmo tempo, o que é um pouco diferente do que vínhamos detectando”, comentou. Em 2017, por exemplo, Pernambuco não notificou nenhum caso da H1N1, mas apenas de H3N2. Os impactos dessa dupla participação e protagonismo viral ainda não podem ser mensurados. 

Ana Antunes chamou atenção da população para uma onda de boatos sobre um novo tipo de gripe e da ineficácia da vacina de influenza. Áudios atribuídos a médicos têm promovido terror nas redes sociais. “Isso não procede. Na verdade, o que está circulando são ciclos de influenza que já tiveram circulação anteriores e a vacinação que está sendo utilizada contempla essas cepas. A mensagem que deixo para a população é quem está nos grupos prioritários busque o posto e tome a vacina”, tranquilizou. 

Sobre a imunização, que iniciou no último dia 23 de abril, o balanço até ontem mostra que poucos buscaram a dose de proteção. Ao todo, 147.163 pessoas buscaram a vacina, o que representa 6,1% do total de 2.399.361 pernambucanos inclusos nos grupos prioritários. A campanha de vacinação contra a influenza segue até o dia 1º de junho, sendo o Dia D em 12 de maio. 

   Grupos prioritários

público-alvo da vacina é composto por crianças de seis meses a cinco anos, gestantes, puérperas (mulheres em pós-parto), idosos maiores de 60 anos, profissionais das redes pública e privada de educação e de saúde, indivíduos de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade, funcionários do sistema prisional, além de portadores de doenças crônicas não transmissíveis.

Do: FolhaPE