Governadores socialistas se reúnem para definir apoio nacional; Ciro Gomes é opção

Governadores do PSB se reuniram, na quarta-feira (27), em Brasília, com o presidente da sigla, Carlos Siqueira, para avaliar o rumo que o partido deve tomar nessa eleição. O encontro se deu após a visita do presidenciável Ciro Gomes (PDT) a Pernambuco, na terça. Há um dilema no ninho socialista entre apoiar Ciro, o PT ou liberar os estados.

Peça-chave na formatação desse entendimento interno, o governador Paulo Câmara – um dos poucos mais inclinado ao PT – esteve presente na reunião e, ao que tudo indica, não apresentará resistência se o partido decidir, de maneira colegiada, apoiar o pedetista – o que é a tendência atual. Uma decisão formal deve ser tomada pelo diretório nacional nos próximos quinze dias.

Além dos governadores e o presidente da sigla, estiveram presentes o ex-deputado Beto Albuquerque e o ex-governador do Espírito Santo Renato Casagrande. “O intuito da reunião é discutir e refletir sobre o processo político eleitoral. Não é pra definição, é pra reflexão. Carlos Siqueira vai convocar uma reunião de diretório até 15 de julho, logo até o meio do mês de julho teremos alguma decisão sobre alianças“, contou Casagrande.

Na última segunda, Carlos Siqueira se reuniu com presidentes dos diretórios estaduais, dos quais colheu uma tendência de apoio à candidatura de Ciro Gomes. Também foi percebida uma propensão a que se libere os estados, mas ficando de fora a possibilidade de apoio a Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede).

Segundo o deputado federal Julio Delgado, apenas os estados do Nordeste – como PernambucoParaíba e Bahia – estão inclinados a apoiar o PT. O governador Paulo Câmara, pela peculiaridade do cenário local, onde a figura do ex-presidente Lula (PT) pesa como cabo eleitoral, trabalhou por muito tempo para que a aliança ocorresse no Estado. Segundo uma fonte próxima ao governador, a ideia de Paulo é ter o PT na Frente Popular e apoiar Ciro para presidente. “Essas coisas podem não ser excludentes. Depende da condução”, avalia a fonte, em reserva.

O que inviabiliza o PSB acenar para os petistas é o fato de que Lula é tecnicamente inviável (pela Lei da Ficha Limpa) e o seu substituto ainda não foi designado. “A gente não pode ficar esperando definição de partidos que estão aguardando definição de candidatura, sabendo que vai ter uma retirada lá na frente, pela inelegibilidade do Lula”, pondera Julio Delgado.